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A escolha do Festival, entrevista com Thierry Frémaux

Após Isabelle Huppert, em 2009, é a vez de Tim Burton, realizador – entre outros filmes – de Sweeney Todd, Marte Ataca! e de Ed Wood (em competição em Cannes no ano de 1996), que presidirá o Júri do 63º Festival de Cannes. Para o sítio Web do Festival, Thierry Frémaux, Delegado Geral do Festival, responde a algumas perguntas.

 

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Porquê Burton, e porquê este ano?

 

 

Esta escolha pode parecer tão surpreendente como evidente, porque Burton impôs inegavelmente, através de uma certa discrição, um estilo, uma garra e um imaginário sem igual, no cinema mundial. É um autor popular porque vai de encontro ao público, um artista que experimenta tudo, extravagante e brilhante. E uma personalidade extremamente atraente e, além disso, muito simpática. É importante: vamos viver juntos durante quase duas semanas.


Como se faz a escolha do Presidente do Júri?

 


A tradição é sempre a mesma: todos os anos, no Outono: Gilles Jacob, Presidente do Festival, e eu próprio, estabelecemos em conjunto uma lista de nomes potenciais que submetemos ao Conselho de Administração do Festival de Cannes. A seguir, com o acordo desse Conselho, nós extraímos da lista retida um dos nomes presentes.

 

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Que lista é?

 

 

Não vou desvendá-la porque ainda pode servir! Os homens e mulheres (realizadores, actores, argumentistas, etc.), que formam o Cinema mundial actual, também serão os que farão o Cinema de amanhã.

 

 

Geralmente, é escolhida gente do Cinema, e muito frequentemente cineastas. Ma na história de Cannes, também houve escritores que assumiram a presidência do Júri…

 

 

Sim, até foi Georges Simenon, então Presidente do Júri, que coroou Fellini. Um tipo de encontro de alto nível! Os escritores continuam a fazer parte do júri: o turco Orhan Pamuk, o italiano Erri de Luca, o americano Toni Morrison ou a haitiana Edwige Danticat.


Quais são os critérios a que se submete a vossa escolha?

 

 

O primeiro desses critérios é a legitimidade. É absolutamente necessário que os realizadores, que serão em competição, saibam que serão julgados por uma pessoa que possui o nível e a credibilidade necessária para conduzir um júri e compor um palmarés, que conhece o cinema e é capaz de se pôr na posição dos seus colegas. Sean Penn foi bem eloquente quando pediu aos seus coo-jurados para imaginarem que estavam implicados em cada filme que deviam apreciar.

 

A seguir, devemos respeitar certos equilíbrios: a Presidente do ano passado, Isabelle Huppert, era actriz e francesa. O de 2010 será realizador e americano. Ele sucede a Quentin Tarantino, Emir Kusturica, Wong Kar-wai, Stephen Frears e Sean Penn. A composição desta lista vai reunindo, ao longo dos anos, uma espécie de panteão de que fazem parte os grandes nomes do Cinema mundial.

 

Por último, não devemos repetir-nos mas, ao contrário, continuar a surpreender. Não é fácil quando se sabe que indivíduos como Milos Forman, Martin Scorsese, Roman Polanski, ou David Lynch já estiveram aqui…

 

 

Acontece que tenham que aguentar recusas?

 



Certos artistas não desejam julgar os seus colegas, posição absolutamente respeitável. Outros estão rodando, escrevendo, em suma estão indisponíveis. Não chega um estalo dos dedos para ser-se feliz.

 

 

Tim Burton aceitou logo?

 

 

No que se refere à ideia, sim. Mas teve que verificar a sua agenda e levou tempo até nos dar uma resposta oficial. Ele quer desempenhar o seu papel com seriedade! Efectivamente, está muito ocupado com o acabamento de Alice no País das Maravilhas, e com a grande exposição que lhe dedica o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Encontrámo-nos na semana passada em Los Angeles e ele confirmou-me que aceitava.

 

 

Como é que ele reagiu?

 

 

Com entusiasmo e gulodice, feliz de poder, após o último sprint inerente à saída de Alice no país das maravilhas, mergulhar no Cinema mundial.

 

 

Como vai proceder para formar o Júri completo? Já está formado?

 

 

Não. Nós começamos sempre pelo Presidente, os jurados são escolhidos depois. E como para a selecção, aventuramo-nos nas águas profundas do Cinema internacional, Para mostrar que Cannes não é um festival francês, mas um festival mundial que se realiza em França. A lista do Júri completo será comunicada durante a conferência de imprensa de anúncio da selecção, em meados de Abril.

 

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O Presidente do Júri participa na selecção dos outros Jurados?

 

 

Não. Desde há alguns anos, a escolha do júri cabe unicamente à organização do festival. A única pergunta que se faz ao Presidente é: «Tem inimigos que não deseja encontrar no Seu Júri? ». Fiz essa pergunta a Tim Burton, à qual respondeu: «Mas isso é mesmo verdade, tenho que reflectir para saber quem são os meus inimigos!» E deu-nos plenos poderes.

 

 

(Propósitos recolhidos por Vinca Van Eecke)

 


 

 

Foto cedida: desenho de Tim Burton, extraído "O triste fim do pequeno menino ostra", Edições 10:18, 1999.