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Conferência de imprensa dos laureados
© AFP
Após a cerimónia de encerramento, os laureados realizaram, um de cada vez, uma mini-conferência de imprensa. Trechos.
Apichatpong Weerasethakul (Palma do Ouro por Lung Boonme Raluek Chat)
Tento propor um cinema diferente, um cinema que faça recuar os limites, que lance um desafio ao público para que o cinema vá mais longe. Espero que seja uma inspiração para os jovens, porque hoje em dia estamos todos sujeitos a uma cultura única, temos todos as mesmas formas de contar as histórias. Hoje em dia, existem culturas minoritárias que já não podem expressar-se, que já não podem viver da forma que querem. O cinema é um elemento que pode ajudar a uma melhor compreensão das diferentes culturas.
Xavier Beauvois (Grande Prémio do Júri por Des hommes et des dieux)
Sou um grande fã do Tim Burton, por isso estava um pouco confiante. Dizia que o filme poderia agradar ao Júri porque, do meu lado, admiro o trabalho deles. (…) Filmámos em Marrocos. É um país tão maravilhoso e acolhedor! Festejámos o Aïd, matámos o cordeiro, construímos uma igreja com os nossos irmãos muçulmanos. Enquanto isso, em França, esgotavam-nos a paciência com as histórias da burca. Filmar em Paris é um inferno. Filmar em Marrocos, é o paraíso.
Mathieu Amalric (Prémio de encenação para On Tour)
A encenação é alguém que está sozinho na banheira ou na cama e que tem uma espécie de visão, um desejo. (…) A boa ideia é estar na imagem. Não tenho vontade de representar, isso foi decidido 3 semanas antes das filmagens. Ao ser cúmplice de ficção, pude alcançar melhor a energia das minhas personagens (…). Algumas pessoas no Júri sabem que comecei como assistente, assistente de realização, assistente de montagem. A minha vida de actor foi inventada por Arnaud Desplechin quando eu tinha 30 anos. Para mim, o Júri fez prova de uma grande generosidade ao atribuir-me este prémio.
Mohahamat Saleh Haroun (Prémio do Júri por A Screaming man)
Recebo este prémio como um convite para fazer parte do mundo do cinema. Tenho a impressão de trazer o meu país, talvez o meu continente, ao palco. Muito achavam que Tim Burton não seria sensível a este género de filme: aqui está a prova do contrário. Tim Burton é um grande cinéfilo. É um palmarés exigente e que tem coração. (…) Fazemos filmes como pequenas velas que acendemos.
Elio Germano (Prémio de interpretação masculina ex-aequo por La nostra vita)
Estou muito comovido e muito surpreendido, tanto a nível pessoal, como pelo filme e, portanto, pela Itália. Reitero o que disse em palco: estou grato aos italianos por fazerem com que o país deles seja melhor, apesar da classe dirigente. Digo isto porque somos frequentemente acusados, nós artistas, de falar mal da Itália. Quando tenho a oportunidade, falo bem dela.
Javier Bardem (Prémio de interpretação masculina por Biutiful)
É uma grande honra e uma surpresa. Estou muito feliz por partilhar este prémio com o Elio Germano porque deveríamos partilhar muito mais num festival. (…) Para mim, é uma honra representar Biutiful.
Juliette Binoche (Prémio de interpretação feminina pelo seu papel em Certified Copy)
Quando o cinema tomou as rédeas da minha vida, o meu desejo revelou-se, encontrando realizadores, indo ao cinema, passando em castings (…). Muito depressa, tive vontade de aprender inglês para filmar com os realizadores de todo o mundo. (…) Fazer filmes é uma experiência cósmica. Agora, direi mesmo que é orgásmico! (risos) (…) Quando conheci o Abbas Kiarostami em Cannes, disse a mim mesma que tinha de trabalhar com ele. Ainda que ele faça filmes em farsi, filme as paisagens e que os actores tenham pouca importância no cinema dele.
Lee Changdong (Prémio de argumento para Poetry)
É um filme que fala do futuro e mesmo da preocupação do futuro. A personagem principal sente esta preocupação e, por esse motivo, deixa um poema antes de partir. (…) A primeira cena veio-me ao mesmo tempo que a intriga principal. A poesia não fala simplesmente da beleza do mundo. A fealdade coabita ao mesmo tempo que a beleza.
Serge Avédikian (Palma de Ouro da curta-metragem por Chienne d’histoire)
Não quis fazer um filme com uma metáfora directa. Escolhi a pintura animada que permite suportar a violência desta exterminação. Os filmes podem ser úteis se puderem servir de passarela.
Não quis fazer um filme com uma metáfora directa. Escolhi a pintura animada que permite suportar a violência desta exterminação. Os filmes podem ser úteis se puderem servir de passarela.
Frida Kempff (Prémio do Júri das curtas-metragens por Micky Bader)
Queria contar a história de uma personagem de mulher sólida, em frente à câmara. Uma mulher sólida participa na vida, ganha o respectivo lugar no mundo, mostra-se. É um filme de esperança e amor.
Michael Rowe (Caméra d’or por Ano Bisiesto-Quinzena dos Realizadores)
Estou muito feliz, isto vai facilitar-me as coisas para o meu próximo filme, tanto que o prémio inclui 50.000 euros em material Kodak.
Estou muito feliz, isto vai facilitar-me as coisas para o meu próximo filme, tanto que o prémio inclui 50.000 euros em material Kodak.
Gael Garcia Bernal (Presidente do júri Caméra d’Or)
Vimos 24 filmes, tinham todos um excelente nível. Estão a aparecer realizadores extraordinários. Ano Bisiesto foi o que mais nos impressionou. Foi uma decisão unânime. No filme, não se vêem as costuras.














