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O Diário 2010

14 de Maio
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Entrevista exclusiva com Emmanuel Carrère

Dia 14.05.2010 às 12:00 AM - Updated on 16.05.2010 at 11:11 AM

Escritor e cineasta francês, Emmanuel Carrère assimila a sua experiência de jurado das Longas-metragens com entusiasmo e gulodice.



Qual a imagem ou a lembrança que associa ao Festival de Cannes?

A minha primeira experiência em Cannes foi como jornalista crítico para a Télérama e a Positif. Era muito jovem, tinha 23 ou 24 anos, e tinha um verdadeiro apetite para os filmes. Via imensos. Demasiados. Lembro-me que por vezes adormecia e que, no final do dia, tudo se misturava numa espécie de papa. Aliás, não era desinteressante, mas isso nem sempre fazia justiça aos filmes.


La Classe de Neige, de Claude Miller, do qual fez a adaptação, obteve o Prémio do Júri em 1997. Em que papel se sente mais à vontade, no de jurado ou de argumentista de um filme em competição?

Quando se é argumentista, é claro que somos solidários com o filme, mas não estamos na linha da frente. Quanto a ser jurado, é uma posição muito confortável.

Na pele de que outro membro do Júri gostaria de estar durante algumas horas?

É claro que há duas belas jovens, mas tenho muita curiosidade em conhecer o Victor Erice. Vi dois dos filmes dele e gostei muito. A discrição dele a forma de se manter na sombra, embora influencie tantos cineastas, intrigam-me. Tenho muita estima e admiração pelo cinema dele.


Qual a sua primeira recordação de cinema?

20.000 Léguas Submarinas de Richard Fleischer, com Kirk Douglas no papel do arpoador et James Mason no papel do Capitão Nemo. É uma recordação muito forte. Queria mesmo ser aquilo: não sabia se era o arpoador, o capitão… mas queria lá estar, no barco.


Por que heroína de cinema estaria disposto a abandonar tudo?

Não tenho vontade de abandonar tudo neste momento…


Então uma heroína que o tenha marcado, vejo que continua a reflectir…

A heroína de Letter From Un Unknown de Max Ophuls toca-me muito… ou antes Gene Tierney em Heaven Can Wait de Ernst Lubitsch. Quando ouve Don Ameche declarar-lhe a sua paixão, é maravilhosa.


D’autres vies que la mienne está a ser adaptado. Vincent Lindon, o seu actor em La Moustache, interpretará nesse filme o papel principal. É uma coincidência?

Não. O Vincent Lindon e o Philippe Lioret tornaram-se muito amigos, e o Vincent Lindon deu a ler o meu livro a Philippe Lioret porque estava interessado no papel. De uma certa forma, pode-se dizer que o Vincent Lindon está na origem do projecto.


Que livro gostaria de adaptar no cinema?

Nenhum. Se voltar a fazer um filme, será um argumento original. Uma vez adaptei o meu próprio livro, La Moustache, mas achei que era um exercício muito preguiçoso.


Quais são os projectos de cinema?

Nenhum. Actualmente estou a escrever um livro.


Qual dos seus livros não gostaria de ver adaptado… caso ainda sobre algum?

Sim, ainda há alguns, mas não estou a ver muito bem como é que isso poderá interessar alguém. Se alguém mo pedir, desejar-lhe-ei “Boa sorte”.



Pensou fazer um livro sobre a sua experiência de jurado de Cannes?

Não pensei nisso, mas quem sabe? Mas não me vou preparar para tomar notas porque acho simplesmente que as coisas que valem mesmo a pena recordarmos, recordamo-las. Não acredito nas notas. E penso que as experiências precisam de tempo para encontrar forma. Não me vejo a ir para casa daqui a 15 dias e dizer que tenho vontade de escrever sobre isto.


Se fizesse um filme, poderia ser um filme na primeira pessoa como nos seus livros?


Fiz dois filmes, uma ficção que era a adaptação do meu livro La Moustache e um documentário, Regresso a Kotelnich, que se passa numa pequena cidade da Rússia. Estou profundamente ligado a esse filme. Gosto muito mais dele do que do outro, infinitamente mais. Ainda que seja hirsuto, confuso e talvez por ser hirsuto e confuso. Se voltasse a fazer cinema, o que gostaria, iria nessa direcção: uma coisa menos categórica do que “escrevemos um argumento e procuramos actores", porque há muita gente a fazer esse dispositivo e 100.000 vezes melhor do que eu. Tenho a impressão de que com um dispositivo um pouco frontal, um pouco estranho, como o de Regresso a Kotelnich, podemos chegar a um tema mais único, com uma maior singularidade e, portanto, uma maior necessidade. Gostaria mesmo de voltar a fazer cinema, mas tenho de encontrar uma ideia um pouco específica.


E o projecto do seu livro? Pode dizer-nos mais qualquer coisa?

Não falo sobre isso de momento, não para fazer segredo, mas porque não está suficientemente avançado. Um pouco por superstição. Enquanto uma coisa não atingir uma espécie de massa crítica a partir da qual podemos dizer “vai chegar a bom porto”, prefiro não falar sobre ela. É muito agradável tirar 15 dias de férias desse trabalho para estar aqui. E, além disso, para me emergir completamente noutra coisa. A experiência deve permitir libertar o espírito. Penso que vai necessariamente acontecer muitas coisas.



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