Em competição com Route Irish, a sua longa-metragem sobre o conflito no Iraque, o realizador britânico Ken Loach apresentou-se esta tarde perante os jornalistas. Partes escolhidas.
Ken Loach, explicando as primícias de Route Irish:
A guerra no Iraque é um tema que sempre quis desenvolver através de um dos meus filmes. A questão era saber como, pois trata-se de um crime atroz cometido contra o povo iraquiano. O desafio foi encontrar um tema recorrente que pudesse revelar tudo o que lá se passou. Hoje em dia, apenas a indignação não é suficiente. Infelizmente, um filme nunca poderá substituir um movimento político para mudar as coisas no Iraque.
Paul Laverty (argumentista), sobre os mercenários contratados para o conflito iraquiano:
As minhas pesquisas para este filme levaram-me a discutir com mercenários que combateram no Iraque. Apercebi-me de que acham que são meros subempreiteiros desta guerra e que, a esse título, não podem ser perseguidos pelos seus crimes. Essas pessoas estão de luto por elas próprias. Hoje, procuram redescobrir o que foram.
Ken Loach, sobre o waterboarding, acto de tortura que consiste em mergulhar a cabeça da vítima na água para que ela confesse, utilizado pelos americanos e os britânicos no Iraque:
O waterboarding resume-se a uma batalha entre o carrasco e a vítima. As pessoas que banalizaram este acto de tortura são hoje em dia as que reclamam alto e em bom som o respeito pela convenção dos direitos humanos. Tudo isso foi feito em nosso nome. Para rodar essa cena, submetemos verdadeiramente o actor principal ao acto de tortura porque o tubo que tínhamos colocado para ele respirar não funcionou.
Conversa recolhida por B.P.




























