Três anos após Versailles, o realizador francês volta a Un Certain Regard com L’Exercice de l’Etat, sua segunda longa-metragem. Um filme sobre o exercício do poder, com em filigrana a falência do Estado e a crise da democracia.
Parece que em França, a presidência de Nicolas Sarkozy suscita filmes sobre o poder político. Depois de La Conquête sobre a ascensão ao poder de Nicolas Sarkozy e, mais marginal, Pater com Alain Cavalier e Vincent Lindon nos papéis respectivos de presidente e primeiro-ministro, L’Exercice de l’Etat de Pierre Schoeller interessa-se ao exercício do poder tal como é: a carga ministerial e o que ele comporta de tensões, de lutas de poder, de insónias...
O ministro dos transportes francês (Olivier Gourmet) é acordado ao meio da noite para ir ao local onde ocorreu um acidente de autocarro. Ele vai. Não tem outra escolha. Tem que estar presente no terreno, confrontando-se à urgência, à hostilidade. Um caos que contrasta com a calma confortável do escritório ministerial em que evolui o seu director de gabinete (Michel Blanc). Entre eles, o diálogo é ininterrompido.
"A verba é o sangue do Estado" diz Pierre Schoeller, que interessa-se à palavra como instrumento de poder. Dar a palavra a quem não falar é sem dúvida o fio condutor dos filmes de Pierre Schoeller: o mundo operário em Zero Défaut, um telefilme para o canal Arte, os pobres e os marginais em Versailles, e esse sem emprego (interpretado por um amador como outros personagens do filme) que se encontra projectado para o primeiro plano em Exercice de l’Etat.
B. de M.
O filme será projectado na quinta-feira 19 de Maio às 11:00 e às 16:30 na sala Debussy.


























